Me apaixonei por uma pessoa que também se apaixonou… mas não por mim.

11231326_894754153914522_727145992903824199_nFoi em alguma sexta-feira da estação de outono. O vento batia na pele, mas o frio não era perceptível, porque o que me aquecia vinha de dentro e depois de tantos anos meu coração batia de novo, senti essa sensação que as pessoas definem como sublimação, plenitude, complemento.

Foram os teus olhos claros que me fizeram baixar a guarda e desejar, arduamente, que você fosse minha – mais uma vez – pois o que senti naquela noite só poderia ser explicado em reencarnações passadas.

Foram os teus longos cabelos cor de ouro, foi seu sorriso, incrivelmente, atraente, que me fizeram voltar a ser criança. Nossa ligação teria se encaixado de novo e minha alma sabia quem era você. A reconheceu de outro mundo, outra história, outra vida.

Eu que nunca acreditei em amor à primeira vista, quase queimei a língua quando te conheci.

A noite foi longa, muita conversa, pouca dança e beijos dos quais me arrepiam a espinha só de lembrá-los. Que inocência a minha, acreditar que você estava pronta para se envolver mais uma vez.

Tinha muito passado no seu diálogo, tinha muita dor nas entrelinhas dos seus gestos e demorei meses para perceber que seu coração já era de outro alguém.

Por mais que se esforçasse para lutar contra, era nítido que meu melhor nunca chegaria nem perto do pior daquele que estava dentro do seu coração.

Como lutar contra isso? Como provar que daria certo?

Não tinha como.

Precisei abrir mão de alguém que rezei todas as noites da minha vida para encontrar. Precisei abrir mão de alguém que já tinha sido minha em outro momento da minha caminhada. Precisei abrir mão de você, mesmo sendo, completamente, contra.

Não poderia amar sozinho, não poderia viver assim, cada dia que passava a dor se tornava mais insuportável. Cada hora que se ia, esvaziava meu peito de alegria. Cada segundo que parava a respiração quando você chegava, eu sabia que você nunca tinha sido minha de verdade

Maldita sexta-feira.

te-olhando-dormir

ME APAIXONEI POR ALGUÉM QUE TAMBÉM SE APAIXONOU… MAS NÃO POR MIM.

Homem de sorte esse, mas, infelizmente, desprovido de inteligência, você não tinha nada incomum, mas era nos detalhes de quem olhava-a nos olhos que percebia que ali morava uma menina que sonhava em casar.

Eram nos detalhes do modo como apertava os braços ao redor do meu corpo, que soube que queria alguém para tratá-la como rainha, mas meu reino não era o mesmo que o seu.

Eu juro que tentei, fiz de tudo, rezei e implorei para que você pudesse estar pronta, completa, disposta, mas não estava.

Seu corpo era presente, mas o sentimento não estava ali. Seus olhos não brilhavam para mim, nunca brilharam e só percebi isso quando estava, completamente, envolvido.

Seus defeitos eu nem liguei, mas para o seu celular eu cansei de ligar, como uma última esperança de que você poderia fazer parte da minha vida, mas me enganei, quanta pretensão.

Abri mão, não porque não estava, inteiramente, apaixonado, mas sim, porque não suportaria viver com alguém que segura a minha mão, mas carrega outro no peito.

Entrei na vida de alguém que já possuía alguém no seu coração e dor maior que essa, ainda não senti.

Gabriel Zorgetz Capeletti para Vida em Equilíbrio.

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Gabriel Capeletti

Gaúcho por sorte, professor por vocação, escritor por paixão e Homem por um mundo melhor, com o compromisso de falar a verdade sobre amor e vida.