Uma carta aberta para a minha Ex.

old-letter-1280x1024Durante muito tempo tentei compreender o que tinha acontecido, se as lágrimas que foram derramadas eram da minha incapacidade de fazer dar certo ou se tudo não passava de incompatibilidades que a vida me proporcionou sem nenhum motivo aparente.

Cansei de refletir e procurar uma solução racionalizada para a dor que consumia o meu peito, pois o excesso tinha me levado ao extremo mental e os conflitos internos começavam a me assombrar novamente.

Foi quando decidi desistir de compreender que uma luz começou a brilhar. Olhei para dentro de mim e percebi de que não poderia e nunca poderei mudar ninguém, apenas aprimorar-me. Olhei os meus passos e notei que gastei mais tempo tentando transformá-la em alguém melhor, sem me dar conta que acabei esquecendo-me de mim várias e várias vezes. Exigindo algo que nem eu possuía, uma contrariedade e tanto.

Conclui então, que minhas atitudes não justificavam meus desejos e que sua falta de atitude nunca poderia ter sido transformada em uma cobrança – ou várias, como eu fazia. Dei-me conta de que o errado não era só você, mas, principalmente eu. Que tinha um pensamento imaturo, infantil e ignorava aquilo que me trazia para fora da minha zona de conforto, por medo de mudar algo que estava bom no meu ponto de vista e que se você se esforçasse mais, tudo daria certo.

Como sempre, perdi dias de prazer ao seu lado, para criticar suas atitudes egoístas, sendo que o egoísta era eu. Olhava para nossa relação e desejava que você me amasse mais, enquanto eu sufocava você minando-a de regras e limitações amorosas, como se você fosse uma máquina que no momento que aceitou namorar comigo, teria que fazer minhas vontades.
O tempo passou, lembranças ficaram e desses anos pra cá as fichas continuam caindo em direção ao bom senso que nunca tive na nossa época. Reflito e percebo que hoje não sou 10% da pessoa que eu era com você. Mimado, agressivo quando me contrariava e acomodado na minha ilusória vida mansa.

Você me fez correr atrás dos meus sonhos e eu nunca tive a oportunidade de agradecê-la por isso, então muito obrigado; de coração. Me transformei aos poucos e evolui mais com a sua partida, do que 20 anos da sua presença, amadureci, transformei-me e conquistei desejos que, na minha cabeça, demorariam décadas para se tornarem reais.

Hoje olho para trás e não sinto ressentimento por ter me deixado, hoje posso olhar sua time line, ver você na balada, cumprimentar sua família e até vê-la com outro alguém lhe fazendo sorrir. Hoje sou diferente, sou mais tranquilo em relação a tudo. Você me ajudou mesmo sem saber. Compreendi que nada é nosso de verdade e que tudo chega ao fim, o que nos cabe é aproveitar cada instante.

Hoje eu sinto que não sou melhor que ninguém, nem quero ser e sinto que me superar é o objetivo mais árduo que posso realizar.

Hoje eu sou grato a você, sou grato as dores que passei e a imaturidade que se foi com esses anos de reflexão e aceitação. Alguns demoram anos, outros décadas – ou até uma vida – para equilibrar-se novamente.

Obrigado as oportunidades.

Carrego o que é bom, aprendi com o que foi ruim e tento mostrar que o fim nem sempre é o pior caminho, mas muitas vezes ficar acorrentado em uma relação infeliz, cômoda, frustrante durante anos é terrível. Perceber que sua vida não passou de uma vitrine para aqueles que nem ligam para seu íntimo, é muito pior. Perdendo assim o mais valioso; chances.

Essa carta é para todas as pessoas que já sentiram a dor de um pé na bunda e não desistiram, porque a vida testará a gente, hoje e sempre, basta a nós decidirmos se viveremos futilmente e acovardados ou levantaremos nossos olhos e encararemos olho a olho as manchas que insistem em ficar nas nossas almas. Aproveite seu caminho e contemple a vista meu caro. Um dia ela acabará.

Gabriel Zorgetz Capeletti para Vida em Equilíbrio

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Gabriel Capeletti

Gaúcho por sorte, professor por vocação, escritor por paixão e Homem por um mundo melhor, com o compromisso de falar a verdade sobre amor e vida.