A supervisão em psicanálise

Os supervisores em psicanálise são analistas que generosamente são importantes no desenvolvimento da outro psicanalista.

 

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“Cada par supervisor-supervisionando é diferente e, sendo assim, é possível haver diferentes vértices de apreensão do fenômeno clínico oferecido pelo paciente” (Ribeiro &Wierman, 2004).

 

Os supervisores em psicanálise são analistas que generosamente são importantes no desenvolvimento da outro psicanalista. A transmissão da psicanálise não acontece sem ele, que um dos pilares fundamentais do ensino de novos analistas.

A quem se deve direcionar o supervisor? Ao analista. Não só ao estudante. Ele, o psicanalista, é alguém que deve estar preparado teórica e tecnicamente e em constante aperfeiçoamento, pois se dispõe a ocupar uma posição de ajuda frente aos pacientes, Para tal, deve estar ciente da responsabilidade que abrange a sua profissão e estar consciente de que é necessário realizar seu próprio tratamento e supervisão.

“Oficialmente, a supervisão passou a fazer parte da formação psicanalítica na década de 20, introduzida por Abraham, Eitigon e Simmel no Instituto de Berlim, sendo requisito regulamentado do processo formativo e habilitador do analista” (Fuks, 2002; Ribeiro &Wierman, 2004; Rocha, 2003; Zaslavskyet al., 2003).

Assim como a supervisão, a análise didática e os seminários e estudos teóricos configuram os pilares básicos da formação psicanalítica (Padilha, 2005; Rocha, 2005; Zaslavskyet al., 2003).

Gonçalves (2005) ressalta que os componentes do famoso tripé podem ser descritos da seguinte forma:

ser analisado e estar disponível para voltar a ser analisado; ter estado e estar disponível para inúmeras situações de supervisão, tanto individualmente como em grupo e participar de seminários clínicos; dedicar-se a conhecer a obra de Freud, reconhecendo-a como o ponto de partida de inúmeros outros pensadores e teóricos da Psicanálise.

A supervisão, portanto, é considerada um dos elementos fundamentais da transmissão psicanalítica, a caracteriza-se pela apresentação de material clínico, relatado por um terapeuta menos experiente a um colega mais experiente, configurando uma relação de ensino-aprendizagem.

Uma das principais funções do supervisor é auxiliar o supervisionando a tolerar a angústia do não-saber. A partir da escuta, o supervisor é capaz de indicar os movimentos a partir dos quais se deu um fechamento no processo inconsciente, sendo colocado o saber como forma de resistência.

A supervisão é um processo de habilitação do candidato, devendo o supervisor estimular, seu supervisionando, o desenvolvimento de suas próprias habilidades.

 

REFERÊNCIAS

FUKS, L. B. (2002). Formação e supervisão. Psicanálise e Universidade, (16), 79-91.

GONÇALVES, C. S. (2005). Tornar-se analista – variâncias e invariâncias. Jornal de Psicanálise, 38(69), 339-348.

PADILHA, M. T. de M. (2005). Supervisão: o ato da palavra. Estudos de Psicanálise, (28), 103-110.

RIBEIRO, M. M. de M., & Wierman, M. L. (2004). Supervisão: exercício da função paterna em Psicanálise. Revista Brasileira de Psicanálise, 38(1), 59-76.

TEIXEIRA, R. P., & Nunes, M. L. T. (2006). O consentimento informado em psicoterapia como evidência ética. In B. S. G. Werlang & M. S. Oliveira (Orgs.), Temas em psicologia clínica (pp. 47-54). Porto Alegre: Casa do Psicólogo.

 

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Sobre o autor

Roney Moraes

Roney Moraes

Psicanalista; Especialista em Saúde Mental e Dependência Química; Mestre em Filosofia da Religião; Doutor em Psicologia (Dr.h.c); Doutorando em Psicanálise (Phd); Analista Didata da Escola Freudiana de Vitória (Acap); Ex-presidente e membro da Associação Psicanalítica do Estado do Espírito Santo (Apees); Coordenador do Centro Reviver de Estudos e Pesquisas sobre Álcool e outras Drogas (Crepad); Membro da Academia Cachoeirense de Letras (ACL).