Não é o fim dos tempos

Quando o plantão da Globo fez plim plim na minha televisão e a belíssima Renata Vasconcellos apareceu dizendo que “um escândalo abalaria a estrutura política do Brasil”, tive um insight imediato: não é o fim dos tempos, é o começo.

Há tempos que vivemos a era do medo, do desprezo, da falta de vergonha na cara. Não é de hoje que o dinheiro da educação, da saúde, da segurança e da cultura é transportado direto para as contas que guardam milhões e bilhões e trilhões do meu, do teu, do nosso dinheiro suado, tudo escondido na Suíça.

Além da maior quadrilha de colarinho branco do mundo, ainda carregamos o peso de uma gente poderosa que derruba avião, que dá tiro na cara, que mata e mata mesmo. Além de um pessoal barra pesada que engana a quem deveria defender com unhas e dentes, também lidamos com as reformas que beneficiam qualquer gente, menos a nossa.

Ainda que eu já tenha perdido a crença em tantas pessoas que eu julgava donas de si e capazes de fazer por onde o nosso voto, ainda assim, eu acho que esse é o começo. Ainda que uma parte de mim não acredite em nada do que eles falam na TV, ainda que saiba do passado sombrio que o Brasil esconde, e ainda que o sofrimento do nosso povo mais pobre só aumente, ainda assim, eu acho que esse é o começo.

É o começo de uma nova era, de um tempo onde bandido vai pra cadeira, ainda que esse bandido seja o presidente da República. É hora de largar as bandeiras políticas, as discussões ideológicas movidas pelas siglas partidárias. É hora de deixar para lá o orgulho ferido de quem foi traído. É hora de olhar de novo, de olhar direito, de olhar pra frente.

Gente, não é o fim dos tempos, é o começo. A crise existe, é grave, assustadora, mas é assim que vamos reerguer esse país. Vamos levantar a cabeça, empinar o nariz e olhar com cara feia pra essa cambada que vai terminar seus dias vendo o sol nascer quadrado.

A hora é de dar voz a uma única bandeira: a do Brasil. É o verde e amarelo que implora por ordem e progresso. É o povo sofrido que consegue acordar de manhã com um sorriso na cara. Somos o país do carnaval, da alegria e das mulheres mais bonitas do mundo.

Porém, também podemos ser um país onde a justiça funciona, onde quem comete um crime não fica impune, onde quem trabalha tem seus direitos assegurados e não retirados. Eu quero ser esse país, você quer ser esse país.

Vamos em frente! Somos imensos, somos grandes, somos brasileiros!

Não é o fim dos tempos, repito: não é o fim dos tempos! É o começo, gente! É o começo da volta por cima. Estamos sacudindo a poeira e tirando a sujeira de todos os cantos para fazer uma casa nova.

Uma casa nossa.

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Sobre o autor

Ju Farias

Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Não estou muito preocupada com meus créditos, eu quero saber mesmo é do que me arrepia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.