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OFENSA

Deneli Rodriguez
Escrito por Deneli Rodriguez

Não há ofensa quando não há o ofendido.

Muito nos ofendemos quando não nos sentimos valorizados pelos outros. Pouco nos ofenderíamos ou não nos ofenderíamos se nosso valor não estivesse sob o crivo do olhar alheio.
A ofensa precisa de um “eu” muito bem construído para acontecer. Quanto mais forte o sentido de identidade, pior será a ofensa.
Claro fica que a ofensa depende da existência do ofendido.
Sem o ofendido, a ofensa não acontece.
Se não me importo com o que o outro fala, pensa de mim, se não me importo com as decisões do outro que não me inclui, se não me comparo com os outros para me sentir valorizado, a ofensa não tem campo para acontecer.
Como deixar de ser o ofendido? Entendendo que o mundo não gira ao seu redor.
Provavelmente pouca gente está dedicada a te ferir, planejando te ferir. Os outros estão tentando ser felizes, assim como você. Não estão pensando em maneiras de te machucar, só estão agindo da melhor maneira que sabem ser.
A maior parte das atitudes alheias que consideramos ofensivas são atitudes vindas da ignorância. A pessoa não sabe como agir de outra forma. Tem pouco ou nenhum contato consigo mesma. Está muito confusa ou ferida e não tem consciência disso.
Tendo esse entendimento e sabendo que as pessoas não vão agir à nossa maneira, deixamos de nos ofender. Entendemos que os outros estão sendo o que sabem ser e dizendo o que sabem dizer.
Ofendemo-nos porque queremos que o outro nos veja como gostaríamos de ser vistos. Queremos ser valorizados, reconhecidos, aclamados, desejados, maravilhosos e queremos que os outros nos digam isso.
Não gostamos de admitir que muitas vezes não fomos os escolhidos.
Ao entender que o outro vai ter inevitavelmente uma imagem diferente de mim, gostos diferentes dos meus, portanto uma opinião a meu respeito ou a respeito das circunstâncias diferente da minha, a ofensa não acontece.
Para se livrar da ofensa é preciso deixar de ser ofendido.
A sustentação da identidade cria sempre conflito.
Se não há um “eu” que precise ser valorizado e reconhecido, não há o “eu” que se sente ofendido.
Deneli Rodriguez.
21.09.2017.
*A imagem é uma cena do filme Elle.

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Sobre o autor

Deneli Rodriguez

Deneli Rodriguez

Pensadora, escritora, especialista em autoconhecimento, participa de grupos de filosofia e meditação. Trabalha com Ayurveda e Yoga em consultas individuais e em cursos para grupos. Estuda Vedanta e Budismo. É também atriz, cantora e estilista. Formada em Relações Internacionais na PUC-SP, Semiótica, Moda, Ayurveda, Yoga e Artes Cênicas.