Acorrentados pela tecnologia?

Entramos nos cafés e percebemos o grande número de pessoas com seus olhos vidrados nas telas de seus celulares. Eu poderia perguntar: Elas estão vivendo, de fato, na realidade?

Muito provavelmente você espera que esse seja mais um texto falando do quão alienados nos tornamos quando centramos nossa atenção apenas nessa pequena ferramenta que nos acompanha diariamente. Poderia ser, mas não.

Estaríamos realmente aprisionados, escravizados pela tecnologia?

Não são esses os rumores?

Poderia fazer sentido, se o ser humano não fosse um ser com condição de possibilidade para autonomia, dito de outra forma, poderíamos alegar que a tecnologia é tóxica e pode nos escravizar, se negarmos nosso domínio sobre nós mesmos.

Entretanto, não me parece aprisionador poder conversar facilmente com aqueles que estão distantes fisicamente, não parece escravizante termos acessos à todas notícias rapidamente enquanto bebemos nosso café. Porém parece extremamente preocupante que não tenhamos controle quanto aos nossos impulsos, que não possamos nos desconectar por livre deliberação.

Certamente, haveria muito mais a discorrer a respeito do que agora nos salta aos olhos, no entanto, até mesmo com um olhar distraído, podemos identificar um grande problema, não com a tecnologia, mas com nossas condutas. Estamos constantemente tentando culpar as ferramentas, passando a bola da responsabilidade para qualquer coisa que alivie o fardo da vida.

 

Comentários

Comentários

Sobre o autor

Isadora Tabordes

Isadora Tabordes

Cofundadora e desenvolvedora dos sites Vida em Equilíbrio e Demasiado Humano. Graduada em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente é mestranda em Filosofia Moral e Política pela mesma universidade. 

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto, do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é...
E se soubessem quem é, o que saberiam? Fernando Pessoa