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SOMOS DIFERENTES DOS COMPUTADORES?

Deneli Rodriguez
Escrito por Deneli Rodriguez

SOMOS DIFERENTES DOS COMPUTADORES?
Criamos hábitos mentais e emocionais que se retroalimentam. Vamos reproduzindo mecanicamente os mesmos hábitos, as mesmas reações e, portanto, sempre nos vemos diante das mesmas situações e dos mesmos resultados. Afinal, apenas o cenário e os personagens mudam, mas nós estamos respondendo a tudo mecanicamente, automaticamente. Algo é automático, mecânico, quando não existe ação, somente reação. A reação é a resposta automática às situações sem nenhum tipo de percepção.
Assim, qual seria a nossa diferença com os computadores?
A ansiedade começa a surgir enquanto esperamos que algo aconteça. O medo vem de que algo aconteça que esteja fora do que planejamos, fora das hipóteses que levantamos. A frustração vem de o resultado conseguido ter sido diferente daquele que projetamos e que, muitas vezes, ficamos ansiosos esperando, para confirmarmos que o resultado foi diferente do que gostaríamos.
Na verdade, em todos os casos, as expectativas foram frustradas. As projeções que fizemos não se confirmaram, mas ainda assim, continuamos com esses mesmos hábitos mentais, justamente porque não sabemos como agir diferente.
Os computadores funcionam de maneira imitativa. A maioria de nós também. Observe por si mesmo esse fato. Observe como sua mente encontra as mesmas soluções para fatos que ela julga serem parecidos. A origem da ansiedade, do medo e da frustração surge da reprodução de um hábito de projetar, imaginar situações e resultados.
E essa reprodução pode ser chamada de imitação. A imitação pode vir da sua própria experiência acumulada como memória, mas também pode vir da reprodução de hábitos sociais. Em qualquer caso, é imitação.
A proposta aqui não é se livrar dessas coisas, mas olharmos realmente para elas, pois qualquer método para nos livramos da imitação, seria também imitação.
E como então resolver esses problemas sem imitarmos novamente? Olhando, percebendo como eles acontecem. E se observarmos realmente veremos que toda a nossa vida foi um processo de imitação. Repetimos o que nos ensinaram. Esse percebimento é o início de uma nova mente.
Essa nova mente é capaz então de observar os fatos como eles são. De observar quando há medo, ansiedade, frustração, imitação. De achar uma nova maneira de viver. Uma mente sensível, quieta e livre.
Deneli Rodriguez.
10.10.2017.

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Sobre o autor

Deneli Rodriguez

Deneli Rodriguez

Pensadora, escritora, especialista em autoconhecimento, participa de grupos de filosofia e meditação. É yogini e terapeuta ayurvédica. Estuda Vedanta e Budismo. Atende em consultas particulares (presencial ou virtualmente). É também atriz de cinema e apresentadora. Dá aulas e palestras em grupos, universidades e escolas. Iniciou sua vida acadêmica em Relações Internacionais na PUC-SP, passando por Filosofia, Semiótica, Moda, Ayurveda e Artes Cênicas.