A selvageria do mundo; às vezes penso sobre isso

Eis que me ocorreu a pergunta: “Qual a origem de tanta selvageria em nossas vidas?”, depois dela, em seguida, surgiu outra: “As pessoas selvagens por natureza, possuem influência na selvageria desenvolvida em outras?”

Então, subitamente, lembrei-me de uma célebre frase dita no poema “Estouro” do Charles Bukowski, nele, ele disse:

As pessoas não são boas umas com as outras, suponho que nunca serão. Não peço para que sejam, mas às vezes penso sobre isso.

Eu pensava sobre isso.

Entretanto, não era generalizável, não é o ponto defender que nenhuma pessoa é boa com outra.

Mas pensava, sobretudo, naqueles que estavam à margem disso. O que fariam? Onde poderiam se esconder? Era óbvio; nos deparávamos com o “mundo selvagem” em todos os instantes… No trânsito, nas universidades, no trabalho e precisávamos fazer algo a respeito disso, seja fugir ou nos defender.

E no que entendo por “mundo selvagem”, entra todo o ódio, inveja, maldade, corrupção, competição e individualidade escondido atrás de tantas ações humanas.

Era cabal; não haviam muitas opções de fuga, e, o preocupante, era que a saída frequentemente encontrada estava em usufruir do mesmo veneno que nos envenena diariamente, ou seja, se você não pode ser gentil com o mundo que frequentemente não o é, então, torna-se tão agressivo quanto ele.

E aqui, pergunto: Qual a influência da selvageria no desenvolvimento de mais selvageria?

Me parecia claro que uma das saídas saudáveis estava em aprender um pouco sobre indiferença, quero dizer; não deixar-se poluir pelo que havia de ruim ao nosso redor, não permitir que o que nos fazem, nos defina de alguma forma.

“O que você fez daquilo que te fizeram?” perguntou o filósofo existencialista Jean Paul Sartre.

Os casos de suicídio que conhecia, eram bons reflexos desse mundo, dos sofrimentos que ele pode nos trazer se não soubermos nos proteger, e o que nos saltava aos olhos era a importância desse tipo de aprendizado.

Infelizmente, as coisas não pareciam estar ficando menos agressivas, logo tornava-se à cada minuto, cada vez mais importante buscarmos saídas, maneiras de viver longe de tudo isso, mesmo estando tão perto.

Imagem destacada: Painting by Svetlana Marandina

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Sobre o autor

Isadora Tabordes

Isadora Tabordes

Cofundadora e desenvolvedora do site Vida em Equilíbrio, estudante de Filosofia na Universidade Federal de Pelotas.

“Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto, do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é…
E se soubessem quem é, o que saberiam? Fernando Pessoa