Beleza

Só há um poder definitivo, a beleza, não há defesa, pois ela vem até nós por todos os sentidos. Torna doce o mundo percebido e é só por isso que muitos temem as mulheres, por sua relação com a beleza. Só as mulheres conseguem vestir-se e investir-se dela. Tê-la pra si e sê-la em si. Imbuída e arraigada, matéria e matriz da miríade de cores presentes para além da visão, pois um cego ainda veria.

Beleza é tão naturalmente da mulher que me espanta alguns tentarem balizar seus matizes. Só quem morreu pode estar imune à beleza e eu ainda tenho minhas dúvidas.

Olhar é um privilégio, um momento que não voltará. Naquela hora o mundo foi melhor, muitas curvas ou uma só, mas especial, única em sua condição, como a íris que se assemelha a uma galáxia que dá a pista da vastidão de sentimento no olhar de uma mulher. Às vezes transcende a visão, é um jeito, um gesto, magia das deidades, coisa que elas fazem sem se dar conta, tantas formas de beleza e como não há tempo numa só vida, me vejo tentando trazer pra minha percepção a beleza que sempre invade meus sentidos, sem pedir licença, afeta meu mundo e tatua em minha alma a certeza de que só a beleza faz sentido.

Milton Lavor

(Imagem da artista: Fabiane Alves Balbino @setting_sunshine, desenho com lápis de cor.)

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Sobre o autor

Milton Lavor

Milton Lavor

Acredito na força das ideias como forma de mudar o mundo. Estudante de Engenharia elétrica para potencializar as contribuições ao todo. Escritor, desenhista e pintor como resultado do que transborda. Servidor público como profissão e filosofia como paixão. Alguns detalhes escapam por falta de espaço.