Como me sinto diante da neblina política brasileira

Esses últimos dias, meses, tempos… Têm sido fervorosos no que diz respeito aos acontecimentos políticos no Brasil, nos deparamos com inúmeros argumentos, infinidades de opiniões para todos os lados, mas mesmo que muitos estejam convictos de suas posições, continuamos com a sensação de incapacidade para chegar ao cerne da questão; a verdade.

Será que há alguém preocupado com a verdade? Será que é possível chegar até ela quando tudo que temos são suspeitos acusando outros suspeitos de crimes contra uma população inteira? População esta que se encontra perdida em meio a tanta imundice, digladiando-se entre si em busca de uma justiça que mal sabemos qual caminho pegar para encontrar. Isso porque nossa realidade política está minada por uma neblina que nos impede de visualizar as coisas distintamente. Isso porque falar de justiça, união e bem comum tornou-se assunto da metafísica e, nesse caso, assumo uma posição kantiana; há coisas que podemos pensar, mas não conhecer.

Podemos conhecer as leis, os processos pelos quais as coisas acontecem, mas jamais poderemos conhecer a índole daqueles que aplicam tais leis, não temos acesso à “coisa em si”. (Antes que suspeitas possam nascer, leitor; não estou defendendo alguém ou um lado do debate, o ponto é constatar o quão vulneráveis somos diante de tudo isso, afinal pessoas argumentando a favor ou contra uma determinada posição já temos bastante).

Sinto-me desolada em desacreditar da possibilidade de conhecer o que há por trás dessa neblina política, no entanto, é visível o quanto estamos distantes dos verdadeiros jogos e estratégias, basta acessar a internet com um olhar crítico para percebermos o quão expostos estamos a meias-verdades, às discussões em busca da razão, mas não da verdadeira realidade.

Gostaria de não assumir uma posição tão pessimista quando ao nosso lugar nesse cenário, mas você, a essa altura, poderia me culpar?

A essa altura é natural estarmos cansados, tristes e sem esperanças para assistirmos os próximos capítulos, porém tentaremos fazer nossa parte, tentaremos escolher da melhor maneira possível com o que nos é passado, tentaremos, sobretudo, filtrar bem aquilo que chega até nós, mas por ora, isso parece tudo o que há.

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Sobre o autor

Isadora Tabordes

Isadora Tabordes

Cofundadora e desenvolvedora do site Vida em Equilíbrio, estudante de Filosofia na Universidade Federal de Pelotas.

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto, do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é...
E se soubessem quem é, o que saberiam? Fernando Pessoa