A natureza transitória das coisas

       É sinal de sabedoria aprender a aceitar a transitoriedade inevitável de nossa existência, uma vez que isso nos conduz não só a uma valorização infinitamente superior ao momento presente, mas também tende a dar forças para que passemos por aqueles momentos desagradáveis.

     É importante que estejamos alerta ao agora, e, que aceitemos o fato de que mesmo as coisas mais banais, amanhã podem estar em outro lugar, exercendo outras funções. Na transitoriedade da vida encontramos as maiores tristezas, mas também grandes alívios. As tristezas derivam de nosso apego a tudo que julgamos bom, haja vista que tendemos a querer a permanência do conforto e a distância da dor. Os alívios derivam dos passos dados a diante, dos novos horizontes que vão surgindo e da estrada sempre cambiante diante dos nossos olhos.

    Tudo na estrada é transitório, mas a amamos mesmo assim, nesse sentido, tenderíamos a uma contradição se erguêssemos um problema justamente contra o movimento vital de nossa existência. A neblina, o tímido sol nascendo entre as árvores, o som dos pássaros e o ronco do motor… Esses seriam alguns elementos dos inúmeros que poderia listar das belezas encontradas na estrada, na vida.

Frequentemente nos contentamentos com aquilo que não podemos chamar “vida”, esbarramos, colidimos nas coisas, tropeçamos sem que possamos perceber onde. Às vezes até mesmo pela velocidade com qual trafegamos nossos dias, somos impedidos de visualizar os possíveis dejetos na estrada, bem como as inúmeras vias possíveis de vida. Aceitemos a vida como ela é, na falta de criatividade para buscar rumos distintos, ou, também, pelo contentamento indolor e inerte que conduz constantemente a tudo aquilo que é morno e opaco.

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Sobre o autor

Isadora Tabordes

Isadora Tabordes

Cofundadora e desenvolvedora do site Vida em Equilíbrio, estudante de Filosofia na Universidade Federal de Pelotas.

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto, do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é...
E se soubessem quem é, o que saberiam? Fernando Pessoa