Dias de lutas

Hoje é o dia de lembrar aquelas que são esquecidas durante o restante do ano. O dia de hoje tem uma função didática, onde as mulheres insistem para a sociedade que tem os mesmos direitos e prerrogativas, que elas são pessoas; livres, independentes e protagonistas de suas próprias decisões. Hoje somos levados a refletir sobre diversas tragédias, barbáries, absurdos, injustiças e violências diversas contra mulheres, apenas pela condição de ser mulher.
Pensando nisso, lembrei de uma figura temida, lembrei das bruxas caçadas e mortas pelo mundo, lembrei das atrocidades cometidas em nome da fé, mas que na verdade só tinham o objetivo de subjugar as mulheres, por temer o seu poder. E fico imaginando que o medo das “bruxas” ainda não foi vencido. Mulheres que ousam ser elas mesmas protagonistas de suas vidas, são temidas, e como suas irmãs da época da inquisição, são queimadas, nos dias de hoje. Como no caso da jovem que acreditou que poderia beber pra se divertir, tal qual fazem milhares de homens pelo mundo, e ficar num canto sozinha para se recuperar; ela acreditou que tinha o mesmo direito de deitar num quarto e que seus “amigos” a deixariam em paz. Mas não é assim que funciona o mundo, pois ela, tal qual a “bruxa” de outros tempos, ousou acreditar que era igual. Estava enganada e esse engano lhe custou a vida. Ela foi estuprada, enquanto estava sozinha, depois foi agredida, e como se não bastasse, foi queimada; viva… Como em Salem, há séculos atrás. Só bastou um pouco de independência, só um pouco de liberdade, e ela passou a ser considerada uma ameaça; motivou a histeria coletiva, e foi vítima da ignorância dos seres mais abjetos que podem existir; os intolerantes.
Como ela, diversas mulheres foram vítimas, todas vítimas de uma cultura que diminui o valor das mulheres, que as colocam em um lugar, com um papel definido, um script pronto e ai de quem não cumprir bem o papel; na verdade, nem é preciso sair do papel, basta ser mulher e estar próxima de um ignorante, acreditar num covarde ou crer que alguém capaz de violência contra ela, também é capaz de amar…
Temos uma cultura retrógrada no Brasil, somos o 5º pior país do mundo para as mulheres, pois somos um povo ignorante, e como tal, não debatemos questões controversas, ignoramos a dor e a morte em nome de quê? Quando alguém relativiza a violência contra a mulher, está agindo em nome de que interesse? Por quê não é possível, simplesmente parar e pensar sobre essas tragédias? É um absurdo ter que explicar o básico, é enojante ter que lidar com uma narrativa tosca sobre a condição feminina no Brasil.
Falta humildade para aceitar que há sim uma falha grave na sociedade sobre a forma como enxergamos as mulheres. Estamos cada vez mais longe disso, pois nas redes sociais, todos querem estar certos, não importa o quão errados estejam, e isso está atrasando o nosso processo evolutivo; está custando muito caro para todos nós, pois essa dor e esse sangue, terão um preço, e todos nós pagaremos por isso, de uma forma ou de outra…

#MarçodeLUTA #MulheresAVANTE #PorUMpaísMelhorPraELAS

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Sobre o autor

Milton Lavor

Milton Lavor

Acredito na força das ideias como forma de mudar o mundo. Estudante de Engenharia elétrica para potencializar as contribuições ao todo. Escritor, desenhista e pintor como resultado do que transborda. Servidor público como profissão e filosofia como paixão. Alguns detalhes escapam por falta de espaço.