Paradoxo de emoções: mundo registra recordes tanto de tristeza quanto de felicidade

O relatório anual Global State of Emotions da Gallup, uma das maiores empresas de pesquisa de opinião dos EUA, mostra que há uma desigualdade enorme entre os sentimentos de positividade e negatividade no mundo. Ao mesmo tempo em que sentimentos como tristeza, raiva e medo bateram recordes e atingiram seu maior nível desde 2006, ano em que o levantamento começou a ser feito, os índices de positividade e alegria também atingiram seu ápice – o que mostra que algumas regiões do globo estão mais tristes do que nunca, enquanto outras jamais sorriram tanto.

A Gallup mapeou o humor e as perspectivas da humanidade ao realizar 151.000 entrevistas em 2018 com adultos em mais de 140 países. Cerca de quatro em cada 10 pessoas disseram que sentiram muita preocupação no dia anterior à entrevista, enquanto um terço disse estar estressado e quase três em cada 10 disseram que sentiam muita dor física. Um quarto experimentou tristeza e 22% ficaram com raiva.

Por outro lado, mais de sete em 10 pessoas disseram que experimentaram prazer, sentiram-se bem descansadas e sorriram ou riram muito no dia anterior à pesquisa, enquanto 87% disseram que foram tratadas com respeito.

Negatividade

Com os recentes retrocessos ambientais, científicos e sociais, os escândalos de corrupção e tantos outros problemas, como a violência crônica, nós, brasileiros, temos a tendência de nos comparar com outros países e acreditar que as coisas estão piores por aqui. Pode não ser nosso melhor momento, mas não estamos sozinhos no sofrimento – e nem sequer estamos no top 10 de países mais sofridos: o mundo inteiro está cada vez mais infeliz. Pessoas em todo o planeta estão mais tristes, mais furiosas e com mais medo do que nunca, de acordo com a grande análise de bem-estar global.

Os pesquisadores concluíram que o número de pessoas que disseram ter sofrido raiva aumentou dois pontos percentuais em relação ao ano anterior, enquanto a preocupação e a tristeza aumentaram um ponto percentual – estabelecendo novos recordes para as três emoções negativas.

Essas descobertas podem ter profundas implicações para a saúde global, dado o impacto que os sentimentos negativos podem ter na saúde física de uma pessoa – estudos já associaram a raiva a um risco elevado de ataque cardíaco e derrame, enquanto a preocupação crônica e a tristeza podem ser sinais de ansiedade e depressão, que aumentam o risco de doença cardíaca.

Se as pessoas continuarem a vivenciar essas emoções negativas em maior número, podemos estar a caminho de um futuro cada vez mais doentio, uma situação que carrega seus próprios efeitos colaterais preocupantes.

Ranking das emoções negativas

Nos últimos 12 meses, guerras, crises políticas, desastres naturais (ou não) aconteceram por todo o mundo. Neste cenário, o pequeno Chade, localizado na África Central, recebeu a indesejável honra de ser o país mais negativo do mundo. Logo atrás na lista aparecem outras nações africanas, como Níger e Serra Leoa, e pelo Iraque. Não é difícil encontrar causas para o pessimismo: a economia do Chade está em profunda recessão desde a queda dos preços do petróleo em 2014, e os padrões de vida continuam caindo no país da África Central; quase 6 milhões dos seus 15 milhões de cidadãos vivem em extrema pobreza.

“A pontuação geral do país reflete, pelo menos em parte, a violência, o deslocamento e o colapso dos serviços básicos em partes do Chade que afetaram milhares de famílias”, diz o relatório. Cerca de 72% das pessoas no país disseram que lutaram para comprar alimentos em algum momento durante o ano. Os chadianos também não conseguiram acessar a internet durante a maior parte de 2018, depois que o governo cortou o acesso à rede.

O Brasil se destaca no ranking que aponta a preocupação das pessoas. Segundo a pesquisa, 57% dos brasileiros questionados disseram ter sentido preocupação no dia anterior à pesquisa. O país mais preocupado foi Moçambique, com 63% de respostas positivas para essa questão.

Quanto às demais respostas dadas por brasileiros em cada tópico, 21% disseram que sentiram raiva no dia anterior à entrevista, 26% sentiram tristeza, 41% sentiram estresse, 37% sentiram dor, 74% sentiram prazer/alegria, 64% se sentiram bem descansados, 52% aprenderam algo novo ou fizeram algo interessante, 74% sorriram ou riram e 96% se sentiram respeitados.

Os 10 países mais negativos foram:

  1. Chade
  2. Níger
  3. Serra Leoa
  4. Iraque
  5. Irã
  6. Benin
  7. Libéria
  8. Guiné
  9. Palestina
  10. Congo

A República Centro-Africana, que liderou o índice de infelicidade em 2017, não foi pesquisada no último relatório.

América Latina sorri mesmo com problemas

Por outro lado, nós, latino-americanos, mesmo com todos os problemas, nos destacamos no ranking que mostra as pessoas mais positivas do planeta. O Paraguai recuperou o primeiro lugar como o país mais feliz e mais positivo do mundo, vencendo a concorrência acirrada de Panamá, Guatemala, México, El Salvador e Honduras – apesar de tais nações terem altos níveis de pobreza e violência.

As pessoas na América Latina “nem sempre avaliam suas vidas da melhor forma, mas elas riem, sorriem e desfrutam de prazer como ninguém no mundo”, escreveu Jon Clifton, sócio-gerente global da Gallup, no relatório. Suas pontuações mais altas “pelo menos em parte refletem a tendência cultural na região para se concentrar nos pontos positivos da vida”, acrescentou o relatório.

A Indonésia foi a nação mais positiva fora das Américas. Os países escandinavos geralmente são os mais bem avaliados neste quesito: quatro deles – Finlândia, Dinamarca, Noruega e Islândia – são os primeiros no Relatório sobre a Felicidade Mundial da ONU feito este ano. A abordagem conduzida por entrevistas da Gallup, no entanto, tem repetidamente encontrado níveis mais altos de realização na América Latina. [CNNGallup]

Os países mais positivos do mundo em 2018 foram:

  1. Paraguai
  2. Panamá
  3. Guatemala
  4. México
  5. El Salvador
  6. Indonésia
  7. Honduras
  8. Equador
  9. Costa Rica
  10. Colômbia

A Gallup também realizou um “Ranking da Felicidade 2016-2018”, com 156 países, no qual o Brasil ficou em 32º. Infelizmente, a pontuação de felicidade no país diminuiu em relação aos anos de 2005 a 2008. [FuturismCNNGallup]

Via Hypescience 

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