O entardecer de cada dia e a liberdade da vida

  Quando a noite anunciava sua chegada, os pássaros brindavam com uma dança no ar o fim de mais um dia. Cada dia é uma vida que não retorna, mas os pássaros eram instintivamente mais sábios do que nós nesse sentido. Enquanto eu buscava pintar o quadro da minha vida, imitando-os, sabia que o esforço era maior, porque meu senso de liberdade não alcança a altura daquelas pequenas asas. Além disso, colide frequentemente com as prisões que o mundo presenteava.

  Mas as prisões do mundo não eram o problema. O problema era nossas próprias correntes mentais, já que a liberdade estava em nossa maneira de ver as coisas, e as situações de nossas vidas nada mais eram do que o reflexo da visão que colocávamos no mundo.

  Gosto de pensar que a vida é algo como uma Intruder, 125 (Motocicleta vendida pela Suzuki até 2017). Embora tenha um modelo de fábrica, é quase um quadro em branco, você sempre pode reinventá-la, fazer dela uma obra artística. E talvez seja isso; a liberdade reside em sua capacidade de customizar a sua vida. Em sua capacidade de contemplar cada entardecer e perceber nele uma fonte criativa de novas perspectivas.

Comentários

Comentários

Sobre o autor

Isadora Tabordes

Isadora Tabordes

Cofundadora e desenvolvedora dos sites Vida em Equilíbrio e Demasiado Humano. Graduada em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente é mestranda em Filosofia Moral e Política pela mesma universidade. 

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto, do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é...
E se soubessem quem é, o que saberiam? Fernando Pessoa