A vida se esconde no ponto cego do retrovisor

O problema era quando a vida se escondia justamente em nosso ponto cego. É quando o inesperado surge. Quando nossos retrovisores não dão conta do recado. Se algo ruim acontece, nos sentimos culpados. Se algo bom acontece, nos sentimos privilegiados. Inocentemente, é claro, em ambos casos.

Inocentemente por incorrermos na ilusão de que a vida reside dentro do nosso ângulo de visão. Nos culpamos por ignorância, quando o espelho não mostra todas as coisas que precisamos ver, mas nosso verdadeiro erro, a verdadeira ignorância é nos iludirmos com a possibilidade de visualização da totalidade das coisas. A ignorância humana é um fato. Entretanto, isso não significa que devemos sentar e observar a inevitável e inimaginável ordem da vida. Como certa vez disse o filósofo holandês Baruch Espinosa: “o conhecimento é o mais potente dos afetos”.  Nesse sentido, usando o conhecimento como nossa principal ferramenta, mesmo que não possamos prever a vida, podemos conduzir a nossa existência em busca de melhores encontros, bem como lidarmos melhor com os encontros menos favoráveis das nossas vidas.

No final das contas, não é que a vida se esconda justamente no ponto cego do retrovisor, o endereço da sua residência é nesse ponto. Pilotávamos sempre rumo ao inesperado. Sempre rumo ao desconhecido. A nossa ignorância é esquecermos disso.

Não era minha intenção citar aqui a pandemia do coronavírus para dar apenas um exemplo disso, mas ela está aí mostrando a nossa fragilidade e a nossa falta de controle sobre os eventos da vida. O que também não significa que não tenhamos forças para superar os desafios impostos pela vida como ela é.

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Sobre o autor

Isadora Tabordes

Isadora Tabordes

Cofundadora e desenvolvedora dos sites Vida em Equilíbrio e Demasiado Humano. Graduada em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente é mestranda em Filosofia Moral e Política pela mesma universidade. 

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto, do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é...
E se soubessem quem é, o que saberiam? Fernando Pessoa