A dor crônica por meio de ilustrações: o que você diz não é o que a pessoa entende

Vivemos tão preocupados com o tempo, com todas as coisas que temos para fazer, que muitas vezes acabamos esquecendo de analisar o mundo ao nosso redor. Nos colocamos em uma redoma, nos perdemos dos sentimentos alheios, nos desconectamos, mesmo tão conectados.

E quem não entra nesse barco, pode acabar se sentindo deslocado. Será uma vida rápida demais para analisarmos as coisas em outras perspectivas?

Será que se todos parassem para, de fato, sentir a “dor do mundo”, haveria mais consciência, mais humanidade?

Será que suportaríamos?

Nas calçadas, pessoas andam em linha reta, ignorando o ser humano dormindo na calçada. Nas estradas, animais mortos por alta velocidade, a gente finge não ver. Na política, uma população pagando por falta de moral. Fechamos os olhos para não ver, porque a completa consciência, diariamente, tornaria os dias carentes de sorrisos.

Sem mais delongas, vamos direto ao ponto, afinal, talvez já tenha divagado muito. rs

Charlotte Gomez, uma excelente artista, decidiu prestar atenção na dor alheia, dar voz aos portadores de dores crônicas. Ela resolveu mostrar como eles se sentem e apresentar a constante sensação de abandono e falta de compreensão.

Através de incríveis ilustrações, Charlotte criou cenas clássicas do dia a dia dos portadores de dores crônicas mostrando a diferença do que as outras pessoas dizem a eles e o que eles entendem.

Muitas vezes, a pessoa sente dor, mas não há nada real fisicamente que justifique a dor relatada. Mas isso faz com que a dor seja imaginária? Na maioria das vezes, não.

A dor passa a ser crônica quando é relatada por mais de seis meses.

Você diz: “está se sentindo melhor?”

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A pessoa entende: “eu não quero mais ouvir falar que você se sente mal!”

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Você diz: “você tomou algum remédio?”

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A pessoa entende: “acho que você não está se esforçando para melhorar.”

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Você diz: “você não parece doente.”

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A pessoa entende: “como eu não consigo ver sua condição, é difícil acreditar que é real.”

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Você diz: “você nunca quer sair.”

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A pessoa entende: “estou cansado de chamá-la pra sair e logo vou cansar de convidar.”

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Você diz: “hum, nunca ouvi falar da sua doença.”

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A pessoa entende: “você está inventando.”

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Você diz: “você precisa se manter otimista.”

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A pessoa entende: “pare de sentir pena de si mesmo.”

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Você diz: “você já tentou *insira aqui qualquer tratamento aleatório/alternativo aqui*?”

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A pessoa entende: “li uma matéria sobre sua condição e acredito que sei mais sobre ela do que você.”

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Você diz: “você conseguirá vir trabalhar hoje?”

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A pessoa entende: “sério que você vai perder outro dia de trabalho?”

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Você diz: “alguém, em algum lugar, está pior do que você. Tente agradecer!”

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A pessoa entende: “você não tem permissão de se sentir triste por uma condição que poderia ser pior.”

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Você diz: “sinto muito que esteja sentindo dor. Queria poder tira-la de você.”

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A pessoa entende: “sei que é difícil, mas estou aqui por você.”

dor10.1É claro que muitas vezes, não somos responsáveis pelo que as pessoas compreendem, no entanto, devemos procurar o cuidado e o carinho necessário nas palavras, devemos tentar imaginar o lugar de quem sofre, seja com essa doença ou com outras situações extremas.

Ilustrações via Buzzfeed

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Sobre o autor

Isadora Tabordes

Isadora Tabordes

Cofundadora e desenvolvedora dos sites Vida em Equilíbrio e Demasiado Humano. Graduada em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente é mestranda em Filosofia Moral e Política pela mesma universidade. 

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto, do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é...
E se soubessem quem é, o que saberiam? Fernando Pessoa