“Como se fosse possível matar o tempo sem ferir a eternidade”

Paramos no sinal vermelho, olhamos para os lados e tudo que vemos é a insatisfação no volante. A tristeza está ali, sempre a espreita. É só mais um dia.

Não, não falo das grandes tristezas; das guerras, da poluição, do abandono, da escravidão, da desigualdade. Não nesse momento.

Falo das pequenas tristezas massacrantes e diárias, do desperdiço de horas, meses e anos de vida, da maneira morna com a qual conduzimos nossas vidas. Matamos o tempo, sem perceber que com isso, matamos a nós mesmos.

Como se fosse possível matar o tempo sem ferir a eternidade”, já dizia Henry David Thoreau tentando alertar seus leitores dos passos vazios que frequentemente são dados.

Então, o sinal fica verde e todos seguem seus caminhos lado a lado, mas sozinhos. Por um lado poderíamos dizer qualquer coisa a respeito dessa ausência de paixão pela vida, no entanto, por outro, nada poderíamos dizer. Porque, afinal de contas, o que é isso, senão meras divagações?

Eles continuariam dirigindo seus carros e eu continuaria assistindo-os no sinal, sem nada a dizer, buscando o algo a mais, porque de modo geral, as pessoas tendiam à apatia, suas paixões não pareciam verdadeiras. Não se empolgavam, não sentiam em suas veias o sangue passar. Poderia estar enganada, esperava estar.

 

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Sobre o autor

Isadora Tabordes

Isadora Tabordes

Cofundadora e desenvolvedora do site Vida em Equilíbrio, estudante de Filosofia na Universidade Federal de Pelotas.

“Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto, do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é…
E se soubessem quem é, o que saberiam? Fernando Pessoa